top of page

O Método Souyogui é um método terapêutico integrativo e educacional que utiliza o Yoga Terapêutico Integral como tecnologia de regulação do sistema nervoso.

O que tira seu sono?

Foto do escritor: Souyogui
Souyogui
16 de ago.
3 min de leitura

Atualizado: 19 de set.

o que tira seu sono?


Você apaga a luz.

Encontra uma posição confortável.

O corpo parece pronto para descansar.

Mas a mente decide que aquele é o melhor momento para reabrir conversas, revisar decisões, antecipar problemas e imaginar futuros que talvez nunca aconteçam.


Curiosamente, isso quase nunca acontece às dez da manhã, ou durante o almoço. Costuma ocorrer quando tudo fica em silêncio que alguns pensamentos resolvem fazer barulho. Muitas pessoas acreditam que isso acontece porque sofrem com insônia, mas isso é mais complexo. Talvez o que esteja acordado não seja apenas você, sejam os assuntos que sua mente acredita que ainda não terminaram.


Existe uma ideia profundamente enraizada na cultura brasileira de que descansar é um prêmio reservado para quem resolveu tudo.

Espera-se que você responda as mensagens, organize a casa, cuide dos familiares, resolva os problemas do trabalho, planeje o dia seguinte, encontre uma solução para aquela conversa difícil. E, só então, poderá descansar.


O problema é que esse momento quase nunca chega. Sempre existe mais alguma coisa esperando por você. Enquanto isso, o cérebro aprende uma associação silenciosa. Dormir passa a significar perder tempo para resolver problemas e pensar acaba parecendo mais útil do que descansar.


A neurociência mostra exatamente o contrário.

Durante o sono, o cérebro reorganiza memórias, reduz a carga emocional de muitas experiências, fortalece aprendizados, reorganiza informações que pareciam confusas durante o dia, e ajuda eliminar o risco de alzheimer e outras doenças degenerativas.

Em outras palavras, descansar também é uma forma de continuar resolvendo as coisas, não conscientemente, mas biologicamente.

É por isso que tantas pessoas encontram respostas ao acordar. Não porque pensaram a noite inteira, mas porque finalmente permitiram que o cérebro fizesse o trabalho para o qual foi projetado.


Talvez em vez de se perguntar sobre: “o que está tirando meu sono? “, fosse mais útil refletir: “O que continua acordado enquanto eu tento dormir?


Pode ser uma preocupação.

Uma culpa.

Uma tentativa de controlar o amanhã.

Uma decisão adiada.

Uma expectativa impossível.

Ou simplesmente o hábito de acreditar que pensar mais sempre significa resolver melhor.


Algumas respostas amadurecem durante a pausa, assim como a natureza encerra um dia antes de iniciar outro, o cérebro também precisa concluir um ciclo para começar o próximo. Nem tudo precisa ser resolvido hoje, descansar faz parte da vida e durante essa pausa conseguimos ter mais clareza mental e um organismo mais equilibrado.


Quando compreender não basta, é preciso experimentar.


Na Souyogui, o cuidado com o sono não se resume a uma recomendação isolada. Os Movimentos Souyogui® - Mudando o Ritmo podem ajudar a criar uma transição corporal entre o ritmo do dia e o repouso;


A Alimentação Reguladora Souyogui®  - Receita Velouté para o entardecer, pensado para marcar fisiologicamente a transição entre atividade e repouso.


O Recursos Souyogui® - Continua Amanhã oferecem pequena experiência para perceber o que mantém a mente em alerta e criar condições para desacelerar.


Diferentes caminhos, uma mesma perspectiva: não forçar o sono, mas favorecer as condições em que o organismo reconhece que pode descansar.



📚Para aprofundar o tema:

1. Edinger et al., 2021 - AASM Clinical Practice Guideline. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2021;17(2):255–262.

Sustenta a abordagem comportamental e psicológica da insônia e, principalmente, a posição de que a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (CBT-I) que é o tratamento de primeira linha para insônia crônica. Também aborda que não recomenda tratar “higiene do sono” isoladamente como intervenção suficiente.


2. Riemann et al., 2010 - modelo de hiperativação da insônia. The hyperarousal model of insomnia: a review of the concept and its evidence. Sleep Medicine Reviews. 2010;14(1):19–31.

Excelente abordagem conceitual de que algumas pessoas não conseguem simplesmente “desligar” porque a insônia envolve componentes de hiperativação fisiológica, cognitiva e emocional.


3. Harvey, AG. 2002 - modelo cognitivo da insônia. A cognitive model of insomnia. Behaviour Research and Therapy. 2002;40(8):869–893.

Referência clássica que explica como preocupação, monitoramento excessivo, interpretação de sinais corporais e pensamentos sobre as consequências de não dormir podem alimentar um ciclo de ativação. Uma revisão recente continua encontrando esse modelo como uma das bases importantes da compreensão cognitiva da insônia.


4. Perlis et al., 1997 - perspectiva comportamental/neurocognitiva. Psychophysiological insomnia: the behavioural model and a neurocognitive perspective. Journal of Sleep Research. 1997;6:179–188.

Discute a ideia ocasional que padrões de insônia são mantidos por ativação, condicionamento e comportamento. A referência continua sendo citada na literatura contemporânea sobre hiperativação.


5. Spielman / modelo 3P - predisposição, precipitação e perpetuação.

O modelo 3P conduz a transição da pergunta simplista “por que não consigo dormir?” e passa a perguntar: o que predisposicionou, o que desencadeou e o que está mantendo esse estado? Revisões clínicas contemporâneas continuam utilizando essa estrutura para compreender a insônia.





Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page