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O Método Souyogui é um método terapêutico integrativo e educacional que utiliza o Yoga Terapêutico Integral como tecnologia de regulação do sistema nervoso.

O que te deixa irritado? Aprenda a lidar com irritabilidade

Foto do escritor: Souyogui
Souyogui
28 de set.
9 min de leitura
O que te deixa irritado? Aprenda a lidar com irritabilidade, ansiedade e estresse

Por que estou sentindo irritação com tudo no dia a dia?

Há dias em que uma coisa pequena consegue alterar a temperatura de tudo. Uma resposta atravessada, alguém que não cumpre o combinado, uma espera mais longa do que gostaríamos, um ruído insistente, uma desatenção ou uma tarefa que ficou para trás. São acontecimentos comuns, parte inevitável da convivência e da vida cotidiana. Ainda assim, alguns deles conseguem ocupar dentro de nós um espaço muito maior do que ocuparam no mundo.


A conversa termina, a pessoa vai embora, a mensagem fica para trás, a fila finalmente anda, mas ainda seguimos pensando.

Reconstituímos a cena, encontramos respostas que não demos, imaginamos outras intenções, ensaiamos conversas que provavelmente nunca acontecerão. A situação durou alguns minutos; sua permanência dentro de nós pode atravessar um dia inteiro.

Essa diferença entre o tempo que uma situação ocorre e o tempo que continuamos oferecendo a ela, diz muito sobre a maneira como lidamos com a irritação.


O que pode causar irritabilidade

A irritação tem uma função: pode sinalizar necessidades fisiológicas negligenciadas (privação do sono, fome prolongada, cansaço físico); reações físicas e ambientais (dores crônicas, alergias ou inflamações); alterações hormonais (tensão pré-menstrual (TPM), menopausa ou distúrbios da tireoide); fatores emocionais e psicológicos (estresse crônico, ansiedade, depressão, tdah).


As irritações cotidianas participam das variações emocionais que experimentamos ao longo do dia e podem repercutir na maneira como avaliamos nosso próprio bem-estar.

O problema começa a ganhar outra dimensão quando algo que aconteceu continua recebendo nossa atenção depois que a situação terminou, e por vezes atingindo uma explosão de raiva.

Pensar sobre uma experiência é importante para compreendê-la. Podemos perceber algo que precisa ser reparado, reconhecer nosso comportamento, estabelecer um limite ou aprender com o ocorrido. Mas a ruminação segue outro caminho: o pensamento retorna à mesma cena, procura novas explicações, revisa palavras, imagina intenções e mantém a experiência emocionalmente presente.


Há algo profundamente humano nessa repetição: a mente procura fechar histórias. Quando uma conversa termina mal, quando somos tratados de uma maneira que consideramos injusta ou quando alguém nos decepciona, continuamos reconstruindo a situação na tentativa de encontrar uma explicação que devolva alguma sensação de ordem. Às vezes conseguimos compreender o que aconteceu, outras vezes, apenas percorremos novamente o mesmo caminho diversas vezes.


Pensamentos repetitivos, irritação e estresse

Irritação, ansiedade e estresse podem se alimentar mutuamente ao longo do dia. Quando estamos sob pressão, preocupados ou emocionalmente mobilizados, a atenção pode ficar mais facilmente presa a acontecimentos, possibilidades e problemas que continuam sendo revisitados mentalmente.


Estudos mostram que experiências estressantes podem ser seguidas por aumento da ruminação, que por sua vez está associada ao aparecimento ou agravamento de sintomas de ansiedade. A relação também pode acontecer na outra direção. A ansiedade pode favorecer pensamentos repetitivos e preocupações, enquanto a permanência nesses pensamentos pode prolongar o estado de tensão, ansiedade e dificultar a recuperação depois de uma situação estressante.


A sequência não acontece da mesma maneira para todas as pessoas e não segue uma ordem fixa.

Em alguns momentos, o estresse vem primeiro; em outros, uma preocupação persistente aumenta a irritação; em outros ainda, um episódio de irritação desencadeia a ansiedade.

O problema aparece quando esse movimento começa a dominar o restante da experiência. Uma conversa pode terminar, mas continuamos mentalmente nela. Um comentário pode ser pequeno, mas permanecer presente enquanto outras tarefas acontecem. A atenção fica ocupada, o corpo pode permanecer tenso e situações diferentes começam a receber a influência daquele estado anterior.


Perceber esse ciclo no início cria uma possibilidade importante de intervenção. Em vez de esperar que a irritação desapareça sozinha ou tentar resolver mentalmente tudo aquilo que está passando pela cabeça, podemos reconhecer o que está acontecendo e interromper a continuidade automática da resposta.


Consciência corporal em momentos de irritação

A irritação costuma vir acompanhada também de mudanças corporais perceptíveis: a mandíbula se contrai, os ombros se elevam, a respiração se altera, o olhar se fixa e o corpo se prepara para responder. Perceber essas mudanças antes que a reação se amplifique cria uma oportunidade de interromper o automatismo.

Uma respiração mais ampla e confortável, o relaxamento deliberado da mandíbula e dos ombros, a percepção dos pés em contato com o chão e uma exploração mais ampla do campo visual podem ajudar a deslocar a atenção do estímulo que provocou a irritação. Um movimento lento, coordenado com a respiração, acrescenta novas informações sensoriais ao organismo e pode favorecer essa mudança de orientação.

Essa é uma das funções do movimento souyogui® dentro do autocuidado: oferecer ao corpo uma experiência concreta que interrompa a escalada da irritação e devolva espaço para a escolha.


Alimentação reguladora e irritação

A alimentação reguladora também pode participar desse processo de maneira bastante prática. Quando estamos irritados, frequentemente continuamos alimentando o episódio pela repetição mental. Preparar um chá ou saborear um lanche exige outro tipo de participação. Há algo para tocar, observar, cheirar, transformar e experimentar. A atenção encontra uma tarefa concreta e os sentidos passam a participar da experiência.


Na Alimentação Reguladora Souyogui®, a escolha dos alimentos também pode acompanhar a experiência que estamos vivendo. Nesta receita, o cacau traz sabor intenso e compostos bioativos que vêm sendo estudados por sua relação com o humor, enquanto aveia, frutas desidratadas e castanhas acrescentam fibras, gorduras e outros nutrientes à composição. O cacau rico em flavanóis e produtos com maior concentração de cacau já foram associados, em estudos clínicos, a mudanças favoráveis em alguns indicadores de humor, embora os mecanismos envolvidos ainda não estejam completamente esclarecidos.


Mas existe outra dimensão dessa receita que interessa especialmente quando falamos de irritação e ruminação: a experiência de comer. Perceber a textura da base, o contraste entre os ingredientes, cria uma oportunidade concreta de trazer a atenção para os sentidos. Em vez de comer enquanto a mente continua presa à situação que provocou a irritação, a pessoa pode fazer uma pausa e saborear o alimento.

Essa é uma forma de praticar o mindfulness. A atenção não precisa ser formal nem exigir alguns minutos de silêncio. Pode acontecer enquanto, percebe a textura, sente o aroma do cacau e se acompanha o sabor antes da próxima mordida. A comida continua cumprindo sua função de alimento, enquanto o ato de comer oferece também uma pequena experiência de presença.

Comer com presença pode ser uma pequena mudança de ritmo em meio a um dia acelerado e, às vezes, é justamente essa mudança que permite voltar aos sentidos antes de continuar.


Como lidar com a Irritabilidade

Algumas situações não pedem apenas uma pausa, algumas pedem conversa, outras exigem um limite. Há momentos em que precisamos reconhecer nossa participação, reparar alguma coisa ou tomar uma decisão. Também existem situações que já terminaram e continuam recebendo energia simplesmente porque a mente ainda está tentando encontrar uma explicação, uma conclusão.


É nesse ponto que o Recurso Souyogui® pode ajudar a diferenciar o fato daquilo que foi despertado por ele. Em vez de permanecer indefinidamente dentro da cena, a pessoa observa o que aconteceu, reconhece a emoção, identifica o pensamento que se repetiu e pergunta se existe uma necessidade ou uma ação concreta por trás daquela reação.


Algumas emoções precisam ser escutadas. Alguns pensamentos precisam ser examinados. Algumas situações precisam de ação. E algumas podem simplesmente perder espaço quando percebemos que já fizemos aquilo que estava ao nosso alcance.

Na Consultoria Souyogui costumamos fazer uma experiência de refletir como essa irritação influenciará nossa vida daqui a dez anos, para produzir uma mudança de perspectiva. Muitas das irritações que hoje parecem enormes terão perdido seus contornos. Algumas pessoas que nos irritaram já não estarão presentes. Certas discussões sequer serão lembradas. Outras continuarão importantes porque revelaram algo essencial sobre uma relação, uma escolha ou um limite que precisava ser estabelecido.


Essa perspectiva não diminui o que sentimos no presente, mas ajuda a devolver proporção do fato que causou irritação. A vida é construída também pelas horas comuns: uma conversa na cozinha, uma refeição compartilhada, uma caminhada, uma tarde de trabalho, o silêncio de uma casa, a presença de alguém querido. Quando uma pequena irritação continua ocupando nossa mente por horas, ela começa a retirar espaço dessas experiências. Cinco minutos de irritação pertencem àqueles cinco minutos, mas ficar ruminando pode transformá-los em um dia inteiro.


Se a irritabilidade se tornou muito frequente, intensa ou persistente e começou a interferir no sono, nas relações, no trabalho ou na rotina, pode ser necessário procurar avaliação médica para investigar possíveis causas.


Reconhecer essa diferença também é autocuidado.

A vida continuará produzindo frustrações. Pessoas continuarão dizendo coisas que não gostaríamos de ouvir. Planos serão interrompidos, atrasos acontecerão, objetos quebrarão, expectativas serão contrariadas. Uma vida regulada não depende da ausência de atritos, mas da capacidade de atravessá-los, compreender o que merecem e devolver a atenção ao que continua acontecendo.


Quando nada mais precisa ser acrescentado, podemos deixar que uma experiência encontre seu lugar. A comida continua diante de nós. A pessoa continua ao nosso lado. O caminho continua à nossa frente. O trabalho continua esperando nossa presença.

A respiração continua acontecendo. E a vida também.


Um olhar Souyogui®

A irritação pode ser uma informação importante sobre limites, necessidades, excesso de estímulos ou expectativas frustradas, e o que acontece depois merece a mesma atenção.


O autocuidado, nesse contexto, envolve desenvolver a capacidade de reconhecer a irritação, perceber como ela se manifesta no corpo, recuperar a atenção, compreender o que precisa ser elaborado e decidir o que merece permanecer, antes de uma crise de raiva ou "explodir com alguém".


Por isso, as práticas Souyogui® podem atuar em conjunto.

O Movimento Souyogui® - Desarme oferece uma intervenção corporal no início da resposta, utilizando respiração, relaxamento de mandíbula e ombros, orientação do olhar, movimento e escuta somática em uma intervenção breve e adaptada, realizada no início da resposta, quando ainda existe espaço para perceber o que está acontecendo e escolher como seguir.


A Receita Souyogui® - Bites de Chocolate cria uma pausa concreta, utilizando a experiência sensorial de saborear.


O Recurso Souyogui® - Saindo do Loop  ajuda a organizar a experiência psíquica, distinguindo o que aconteceu, o que foi despertado e aquilo que realmente precisa ser compreendido ou realizado.


Quando essas práticas se encontram, o cuidado deixa de estar concentrado em uma única dimensão da experiência. O corpo interrompe a escalada, os sentidos ajudam a deslocar a atenção e a mente encontra espaço para elaborar e escolher.


A irritação continua fazendo parte da vida, o que muda é a relação que estabelecemos com ela. E, pouco a pouco, aprendemos a reconhecer quando uma experiência merece nossa presença e quando ela já pode seguir seu caminho.



📚 Para aprofundar o tema


TOMA, A. M. et al. From Hassles to Well-Being: Unravelling the Mediating Role of Daily Affect. Stress and Health, 2025.

A referência ajuda a compreender a relação entre pequenas contrariedades cotidianas, afetos diários e bem-estar.


STENZEL, K. L. et al. Efficacy of cognitive behavioral therapy in treating repetitive negative thinking, rumination, and worry: a transdiagnostic meta-analysis. Psychological Medicine, 2025.

A referência sustenta a discussão sobre pensamento negativo repetitivo, ruminação e preocupação.


BROSSCHOT, J. F.; GERIN, W.; THAYER, J. F. The perseverative cognition hypothesis. Journal of Psychosomatic Research, 2006.

Referência clássica para a discussão sobre a permanência de processos cognitivos relacionados ao estresse depois do término do acontecimento.


DIXON, Alec C. et al. A meta-analytic review of anger management activities that increase or decrease arousal: What fuels or douses rage? Clinical Psychology Review, v. 109, 2024, 102414. DOI: 10.1016/j.cpr.2024.102414.

A análise reuniu 154 estudos, 184 amostras independentes e 10.189 participantes. As atividades destinadas a diminuir a ativação, incluindo respiração profunda, mindfulness, meditação e relaxamento, apresentaram redução de raiva e agressividade, com efeito global de g = −0,63. Já atividades destinadas a aumentar a ativação, como corrida, ciclismo ou outras formas de descarga física, não apresentaram efeito significativo global.


O'DEAN, Siobhan M.; SUMMERELL, Elizabeth; HARMON-JONES, Eddie; CRESWELL, J. David; DENSON, Thomas F. The associations and effects of mindfulness on anger and aggression: A meta-analytic review. Clinical Psychology Review, v. 118, 2025, 102584. DOI: 10.1016/j.cpr.2025.102584.  

A revisão realizou quatro meta-análises, envolvendo 118 estudos correlacionais e experimentais. Nas intervenções experimentais, as intervenções baseadas em mindfulness apresentaram efeito médio na redução da raiva (d = −0,48) e da agressividade (d = −0,61), em comparação aos grupos de controle.


MANDLIK, Gandhar V. et al. Effect of a single session of yoga and meditation on stress reactivity: A systematic review. Stress and Health, v. 40, n. 3, e3324, 2024. DOI: 10.1002/smi.3324.  

Essa revisão investigou uma única sessão completa de yoga, e não apenas programas de várias semanas. Foram incluídos 28 estudos, 2.574 participantes e 31 intervenções, sendo 22 de meditação, 4 de respiração e 5 de yoga. Entre os estudos que avaliaram respostas fisiológicas, 71% apresentaram resultados favoráveis à intervenção; entre os que avaliaram respostas psicológicas, 65% apresentaram resultados favoráveis. A revisão fala em reatividade aguda ao estresse, não em irritação especificamente. Portanto, ela apoia a utilização de respiração, meditação e postura/movimento como recursos breves de regulação, mas não prova que um movimento específico produza esse efeito.


HALL, et al. Breathing Practices for Stress and Anxiety Reduction: Conceptual Framework of Implementation Guidelines Based on a Systematic Review of the Published Literature. Brain Sciences, v. 13, n. 12, 1612, 2023. DOI: 10.3390/brainsci13121612.

Foram avaliados 58 estudos, abrangendo diferentes formas de respiração regulada, incluindo respiração profunda, diafragmática, lenta, ritmada e técnicas respiratórias relacionadas ao yoga. Das 72 intervenções identificadas, 54 apresentaram resultados favoráveis nos desfechos de estresse ou ansiedade.


KHUYER, et al. The effect of mindfulness practice on aggression and violence levels in adults: A systematic review. Aggression and Violent Behavior, 2018.  

Foram incluídos 22 estudos, sendo 14 randomizados. A revisão encontrou resultados que sugeriam redução de agressividade com intervenções baseadas em mindfulness, mas também apontou qualidade metodológica variável e necessidade de estudos controlados mais rigorosos.



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