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O Método Souyogui é um método terapêutico integrativo e educacional que utiliza o Yoga Terapêutico Integral como tecnologia de regulação do sistema nervoso.

Depressão e exercício físico: quando o movimento precisa encontrar a pessoa

Foto do escritor: Fabio Andreaci | Personal Trainer
Fabio Andreaci | Personal Trainer
7 de jul.
4 min de leitura

Atualizado: 11 de set.


como escolher uma atividade fisica para quem sofre de burnout e depressao


Quando falamos sobre exercício físico, é comum pensar imediatamente em intensidade, frequência, desempenho e metas. Para muitas pessoas, começar uma prática significa estabelecer uma rotina de treino e buscar progressivamente mais resistência, força ou condicionamento.


Essa lógica pode funcionar muito bem em diferentes momentos da vida. Existem, porém, períodos em que simplesmente receber a recomendação de “fazer exercício” não contempla a experiência de quem está vivendo depressão, esgotamento ou uma redução importante de energia. Nessas situações, o primeiro movimento pode ser justamente encontrar uma forma de se movimentar que seja possível.


A relação entre atividade física e depressão vem sendo amplamente estudada. Uma grande revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 reuniu 218 estudos randomizados, envolvendo mais de 14 mil participantes, e encontrou redução dos sintomas depressivos associada a diferentes modalidades, incluindo caminhada ou corrida, yoga, treinamento de força, exercícios aeróbicos, Tai Chi e Qigong. Os resultados também mostraram diferenças entre modalidades e intensidades, além de níveis variados de confiança nas estimativas. 


Isso nos oferece uma informação importante: existe mais de uma maneira de colocar o corpo em movimento. Para alguém que está atravessando um período de depressão, uma caminhada curta pode representar um começo possível. Para outra pessoa, alguns movimentos realizados em pé, uma prática de yoga adaptada ou uma sequência lenta podem oferecer uma entrada mais acessível. Em outro momento, o corpo pode estar pronto para uma atividade mais vigorosa.


A escolha precisa conversar com a pessoa que está praticando


No burnout, essa consideração também é relevante. O esgotamento relacionado ao trabalho pode envolver exaustão, distanciamento e redução da sensação de eficácia. Quando a rotina já está marcada por excesso de demandas, transformar o exercício em mais uma obrigação de desempenho pode acrescentar outra camada de cobrança.


O movimento pode ocupar outro lugar. Ele pode oferecer uma mudança de ritmo, uma oportunidade de perceber o corpo e uma experiência diferente daquela exigida pelo trabalho. Pode significar caminhar, alongar, mobilizar articulações, respirar enquanto se movimenta ou simplesmente levantar-se depois de um período prolongado em uma mesma posição.


A intensidade deixa de ser o único critério de valor. Isso não significa que pessoas com depressão ou burnout devam evitar exercícios mais intensos. Quando existe condição física, interesse e acompanhamento adequado, atividades vigorosas também podem fazer parte de uma rotina saudável. A literatura mostra benefícios associados a diferentes modalidades e doses de exercício. O que muda é a compreensão de que uma prática eficaz precisa considerar as condições e possibilidades de quem a realiza. 


Atividade física e experiência corporal


Antes, durante e depois do movimento, podemos perceber como o corpo responde. A respiração pode estar mais livre ou mais contida. O movimento pode parecer fluido ou exigir esforço excessivo. O corpo pode pedir continuidade ou uma pausa. A atenção pode estar presente ou dispersa.


Essas informações não servem para classificar a pessoa, elas ampliam a percepção sobre o momento. É aqui que a consciência somática encontra um lugar importante dentro dos Movimentos Souyogui®.


Uma prática corporal pode começar com algo muito simples: sentir os pés no chão, transferir o peso de um lado para o outro, mobilizar os braços, acompanhar a respiração e perceber como o corpo participa do movimento. A partir dessa experiência, outras possibilidades podem surgir.


O movimento deixa de ser apenas uma tarefa a cumprir e passa a ser também uma forma de escutar. Essa maneira de praticar tem relação com a curadoria dos movimentos souyogui® que analisam movimento, percepção e consciência corporal. O que une essas experiências é a maneira como o corpo é colocado em relação com atenção, respiração, espaço e movimento.


Por isso, quando alguém está atravessando uma fase de baixa energia, exaustão ou depressão, podemos começar por uma pergunta mais concreta: qual movimento cabe neste momento da vida?


Pode ser uma caminhada. Pode ser alguns minutos em pé. Pode ser uma sequência lenta. Pode ser uma prática respiratória acompanhada de movimento. Pode ser uma experiência restaurativa. Com o tempo, a prática pode se ampliar.


Esse processo também ajuda a separar movimento de desempenho. Nem toda prática precisa produzir cansaço para ter significado. Nem todo exercício precisa ser medido pela quantidade de calorias gastas, pela dificuldade da postura ou pela evolução do condicionamento. Há momentos em que o mais importante é recuperar uma relação possível com o próprio corpo.


O autocuidado na prática


Na perspectiva Souyogui®, essa relação faz parte do autocuidado. O movimento pode participar da regulação, da percepção e da construção de novos hábitos, enquanto a pessoa aprende a reconhecer suas possibilidades e a ajustar a prática ao momento que está vivendo.


Para quem enfrenta depressão ou burnout, essa diferença pode ser decisiva: o movimento precisa encontrar a pessoa antes de exigir que a pessoa alcance o movimento.


Os Movimentos Souyogui® foram desenvolvidos para criar experiências corporais breves, conscientes e adaptáveis, integrando movimento, respiração, atenção e escuta somática.

Há movimentos para ativar, desacelerar, perceber, mobilizar e integrar. Há experiências em pé, sentadas, em deslocamento e em diferentes níveis de intensidade.

O importante é que o movimento possa encontrar um lugar possível na vida real.




📚 Referências Bibliográficas


NOETEL, Michael et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ, v. 384, e075847, 2024. DOI: 10.1136/bmj-2023-075847. 


CHEN, Che et al. The effects of aerobic exercise for depression: an umbrella review of systematic reviews and meta-analyses. Journal of Bodywork and Movement Therapies, v. 40, p. 2161–2172, 2024. DOI: 10.1016/j.jbmt.2024.10.068. 


TIAN, Shudong et al. Optimal exercise modality and dose to improve depressive symptoms in adults with major depressive disorder: a systematic review and Bayesian model-based network meta-analysis of RCTs. Journal of Psychiatric Research, v. 176, p. 384–392, 2024. DOI: 10.1016/j.jpsychires.2024.06.031. 


CORREIA, Érica M. et al. Analysis of the effect of different physical exercise protocols on depression in adults: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Sports Health, 2024. 


NEVES, Lucas M. et al. Strength training has antidepressant effects in people with depression or depressive symptoms but no other severe diseases: a systematic review with meta-analysis. Psychiatry Research, 2024. DOI: 10.1016/j.psychres.2024.115805. 

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