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O Método Souyogui é um método terapêutico integrativo e educacional que utiliza o Yoga Terapêutico Integral como tecnologia de regulação do sistema nervoso.

Corrida e Ansiedade: quando o movimento precisa encontrar a pessoa

Foto do escritor: Fabio Andreaci | Personal Trainer
Fabio Andreaci | Personal Trainer
31 de jul.
5 min de leitura

Atualizado: 11 de set.

Corrida e Ansiedade: Como escolher o melhor treino?  - Souyogui


A corrida ocupa um lugar interessante na relação entre movimento, saúde e ansiedade. Para algumas pessoas, correr pode ser uma experiência de vitalidade, presença e prazer. Para outras, determinadas formas de treino podem se tornar difíceis de sustentar, especialmente quando já existe cansaço, excesso de demandas, baixa recuperação ou uma relação muito exigente com o próprio desempenho.


O mesmo exercício pode produzir experiências bastante diferentes dependendo da pessoa, do momento de vida, da intensidade, da frequência, do ambiente e da relação que ela estabelece com a prática. Por isso, pensar o movimento apenas a partir da modalidade escolhida deixa de fora uma parte importante da experiência corporal.


O exercício também precisa encontrar o contexto


A pesquisa acumulada indica que o exercício físico pode contribuir para a redução de sintomas de ansiedade, embora os efeitos variem conforme a população, o tipo de exercício, a intensidade e as características dos estudos. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026, reunindo 30 ensaios clínicos randomizados e 1.421 participantes, encontrou efeitos favoráveis de diferentes modalidades, com resultados particularmente promissores para treinamento de força e exercícios mente-corpo. Os autores também destacam que ainda existem diferenças importantes entre os estudos e que a aceitabilidade das modalidades permanece uma questão relevante. 


Isso ajuda a colocar a corrida em uma perspectiva mais interessante.


Correr pode ser uma excelente forma de movimento para uma pessoa e uma escolha pouco adequada para outra naquele determinado momento. Caminhar pode ser exatamente o que alguém precisa para retomar uma relação confortável com o movimento. Para outra pessoa, musculação, yoga, natação ou uma prática corporal de menor intensidade podem oferecer uma experiência mais compatível com sua rotina e suas preferências.

A modalidade importa, mas a maneira como ela entra na vida também.


Quando o movimento deixa de ser uma experiência e vira uma cobrança


Existe uma diferença entre praticar exercício porque ele participa de uma vida que se deseja construir e praticá-lo dentro de uma relação permanente de cobrança.


A corrida pode trazer prazer, sensação de capacidade, contato com o ambiente e percepção do próprio corpo. Também pode ser acompanhada por metas, comparação, controle de desempenho ou pela sensação de que sempre seria necessário fazer mais.


Essa diferença não está simplesmente na modalidade, mas na relação construída com ela.

Para alguém que já vive sob muitas exigências, transformar o exercício em mais uma tarefa que precisa ser cumprida perfeitamente pode dificultar a continuidade da prática. Pesquisas sobre adesão ao exercício mostram a importância de fatores como motivação autônoma, suporte social, percepção de competência e satisfação de necessidades psicológicas para a permanência na prática. 

A prática corporal precisa caber na vida para poder fazer parte dela.


O corpo também participa da escolha


Existe outro elemento importante: perceber como o corpo responde ao movimento.

A percepção somática pode trazer informações sobre esforço, respiração, apoio, ritmo, tensão, fadiga, prazer, desconforto e recuperação. Essas informações não funcionam como um manual rígido para decidir qual exercício deve ser feito. Elas ampliam o repertório disponível para fazer escolhas mais ajustadas ao momento.


Uma corrida pode ser percebida como fluida em determinado dia e excessiva em outro. Uma caminhada que parecia simples pode se revelar exatamente adequada para uma fase de menor energia. Um treino de força pode oferecer uma experiência de estabilidade e presença para alguém que não encontra isso em atividades aeróbicas. Uma prática de yoga pode ser mais interessante em determinado período porque reúne movimento, respiração e atenção.


A mesma pessoa pode precisar de movimentos diferentes em diferentes fases da vida. Essa possibilidade de adaptação é parte importante de uma relação sustentável com o corpo.


Movimento não precisa ter uma única forma


A ciência contemporânea sobre atividade física também vem se afastando de uma visão excessivamente restrita do movimento. O comportamento físico acontece dentro de um conjunto de 24 horas que inclui atividade, comportamento sedentário e sono. Uma meta-análise publicada em 2026 encontrou associação entre maior adesão às recomendações integradas de movimento e menores probabilidades de sintomas de ansiedade e depressão, reforçando a importância de olhar para o conjunto da rotina. 


Isso amplia a pergunta sobre exercício.

Movimento pode ser treinamento estruturado, mas também pode incluir deslocamentos ativos, caminhadas, práticas corporais, atividades recreativas e outras formas de participação física na vida cotidiana.


A escolha pode mudar conforme a idade, a condição física, a rotina, o ambiente, as preferências, a disponibilidade de tempo, a experiência anterior e o momento vivido. É justamente essa diversidade que torna importante compreender o movimento como experiência.


A prática corporal como experiência de autocuidado


Na Souyogui®, o movimento é compreendido como uma possibilidade de relação com o corpo, com a atenção e com o cotidiano.


Os Movimentos Souyogui® partem de diferentes referências, entre elas Yoga, Qigong, Tai Chi, Feldenkrais e ciência do movimento, e organizam experiências que podem envolver percepção somática, respiração, apoio, equilíbrio, mobilidade, ritmo e atenção.


Essa perspectiva também permite reconhecer que uma prática corporal pode assumir diferentes funções em diferentes momentos. Pode ajudar a despertar o corpo pela manhã, favorecer uma pausa durante o trabalho, acompanhar uma caminhada, criar espaço para perceber a respiração ou simplesmente oferecer alguns minutos de presença corporal.


A prática muda conforme a pessoa e conforme a vida. Por isso, escolher um movimento também pode ser uma forma de aprender a observar o próprio contexto.


Em alguns momentos, correr pode ser a experiência que faz sentido. Em outros, caminhar. Em outros ainda, diminuir o ritmo, explorar uma prática consciente ou simplesmente recuperar a disponibilidade para se movimentar.


O importante é construir uma relação com o movimento que possa acompanhar a realidade, em vez de exigir que a realidade se organize em torno do exercício.

Cada corpo tem uma história.

Cada momento pede uma possibilidade.

O movimento pode acompanhar essa singularidade.




📚 Referências Bibliográficas


LEI, Evander Fung-Chau et al. Effectiveness and acceptability of exercise treatments for adults with anxiety disorders: a systematic review and network meta-analysis. BMJ Open Sport & Exercise Medicine, v. 12, n. 1, e002781, 2026. DOI: 10.1136/bmjsem-2025-002781.


STONEROCK, Gregory L.; GUPTA, Rahul P.; BLUMENTHAL, James A. Is exercise a viable therapy for anxiety? Systematic review of recent literature and critical analysis. Progress in Cardiovascular Diseases, v. 83, p. 97–115, 2024. DOI: 10.1016/j.pcad.2023.05.006.


EDWARDS, Emily S. et al. Assessing the psychosocial factors associated with adherence to exercise referral schemes: a systematic review. Journal of Health Psychology, 2019.


TEIXEIRA, Pedro J. et al. Can interpersonal behavior influence the persistence and adherence to physical exercise practice in adults? A systematic review. Frontiers in Psychology, v. 9, 2141, 2018. DOI: 10.3389/fpsyg.2018.02141.


ZHAO, Xiangyu et al. Association between adherence to 24-hour movement guidelines and anxiety and depression: a systematic review and meta-analysis of observational studies. Journal of Affective Disorders, 2026. DOI: 10.1016/j.jad.2026.121998.



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